quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Corpo de baile.

Atrasado como sempre, cruzando a esquina já imaginando uma desculpa aceitável.Não seria aceita, mas já era alguma coisa.
-Aham -Aceitou ela ironicamente, olhando pro chão.Abracei com um tanto de receio de amassar o vestido dela.Quase nunca a tinha visto em trajes de festa, e tenho que confessar, estava linda.
-Não vem, estou puta com voce.Porra, até hoje.
Ela se virou e fui descendo a rua, retrucando cada mini silaba que eu ousava soltar.Sinismo, arrogância, petulância, ciume, raiva e rancor são coisas que eu admirava em uma mulher.Me veio o impulso de dizer, mas provavelmente ela iria ficar muito danada: eu adorava aquela cara emburrecida.
-Larga meu braço! Estou chateada, po.Nunca encano com teus atrasos, mas até hoje é foda.Eu me arrumei rápido, nem fiz toda maquiagem e você me deixa uma hora esperando.Caralho, meu.Uma hora, é foda.
-Não foi uma hora...
-Ah, foda-se.Você sabe como é importante pra mim estar bonita hoje.Até de salto eu estou....
-Desculpa.
-Porra, né.
Ela me abraçou sem importar se estava amassando alguma coisa.Muito pelo contrario.Nos beijamos varias vezes.Ela quase tropeçou pra trás, pouca habilidade com salto.
-Vacilo teu atrasar.
-Acho que você até esqueceu a pressa, né
-Idiota.

Eu estava cansado, mas era gostoso ser puxado de um lado pro outro do salão e depois jardim afora.
-Já ouvi falar bastante de você.
Eu me sentia um personagem de novela.Ainda que em sua maioria, sorrisos falsos denunciassem uma certo vazio na afirmação, era fato que a pessoa sabia mais de mim do que eu dela.
-Vou te mostrar as meninas
Elas voaram em mim.Entendo em parte.Agora todo mundo podia entender que eu era real.Entendo que pra algumas também, era meio decepcionante.Ela fazia questão de inclinar a cabeça no meu ombro.
dali eu olhava pro lado, via uma menina muito feliz, que não conseguia conter em si mesma a felicidade nervosa.Eram pés felizes, mãos felizes, abraços felizes e um sorriso sarcástico.
Então fomos dançar.Ora eu sentia a respiração dela no meu pescoço, outra eram seus braços que me puxavam pra mais perto do corpo, que deslizava pra cima e pra baixo.Além do que há de se esperar, eu pensava como também estava feliz.Como se de repente se infiltra na vida de outra pessoa.Eu sempre me senti incapaz, mas agora eu podia me ver junto com alguém.Eu sou de ver beleza em tudo o que ela faz.Apoio, brigo, beijo, xingo.As vezes eu exagero, ela me acha grosso.Não posso querer me distanciar.Sobretudo, ela estava linda com aquela fita na cintura.
A certo ponto, ela começou a rir demais.Não contei quantos copos foram, mas ela claramente já estava bastante alta.Confesso que também já não estava tão sóbrio, e pra evitar merda, convidei pra sentar.
Diferente de mim, que fico triste com álcool, ela ficou super enérgica, quis dançar com as amigas.
-Vá lá
Catei algum copo e fui pra fora.Sentei numa escada e fiquei brincando de acender e apagar meu isqueiro.Ela até aprendeu a andar de salto, e eu estava chato.Não quis estragar a noite.Encostei a cabeça na parede.Eu ia voltando pra casa dando milhares de beijinhos na bochecha direita dela.Ela ria e me xingava carinhosamente, como eu adoro.

-Desculpa amor, não chateia.Vamos lá pra dentro.
Me deu um beijo na testa e me puxou pelo braço.
-Tocou uma que tu gosta, e você aqui, né.
-Desculpa, vim pensar.
Me arrastou e ficamos até sei lá que horas juntos
"Daqui a pouco, a valsa dos formandos"
-Estive pensando, porque você gosta de mim?
-hã?
-Esquece, sou um idiota.

3 comentários:

  1. Respondi lá na minha página você viu?
    Meu marido disse que temos que responder na página, haha,to tentando, mas não aguento, venho aqui e aviso!
    ahahha

    bjo Jhon.

    ResponderExcluir
  2. Se ele não tivesse me dito eu diria que foi real ¬¬

    ResponderExcluir