para minha rainha,
Teus olhos riscam divisões em mim
e só você pode
é o que me desatina de gratidão
Teus olhos repreendem
Teus olhos buscam o implícito
O invisível
O horizonte
Teu sorriso caçoa dos meus ombros caídos
zomba da minha mandíbula feia.
Teu sorriso me ilumina todos os dias
mesmo ausente
triste, feliz, indecisa
teu sorriso sempre presente
pobre de quem não vê
triste de quem não sente
minhas palavras te complicam
você me ilumina com seu coral de dentes
Eu, no meu peito impreciso
Só sei meu coração apaixonado
Meus pés cansam sim
descem tímidos pelas ruas,
mas meu corpo todo fica simples e feliz.
Sou dono destas terras
forasteiro em mim mesmo
Propriedade privada do teu Estado independente.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
7.
Confiar em dividir você mesmo com outra pessoa não é fácil.Se você tiver exemplos de que isso pode ser doloroso, é mais difícil ainda.O que fica então ? Orgulho e felicidade se misturam, sendo um parte do outro.Assim como quando fico minutos só olhando, pra registrar cinematograficamente seu respirar, seu olhar balançando sua boca se comprimir; as vezes eu não tenho nada pra dizer.Não por medo de parecer óbvio ou repetitivo, mas porque fico intensamente encantado com cada simples movimento teu.
Todas as coisas que já fizemos juntos, todos os desafios qubrados.Nosso banco, nossa fonte, nossa pizza, nosso tapete no meio da sala....e sua onipresente coca.
Nossas mini-discussões, minha persistencia e seu pessimismo.Nossos descompassos, sua ponderação e minha displicencia.Desculpa.Passado esse tempo, fica claro pra mim que tudo é valido.E pra nós que sair de casa é se aventurar, só de estar já é uma prova de amor.
Provas como fotos, frases, surpresas e ligações noturnas são bem vindas sempre, mas são adicionais.Se deslocar daqui pra lá, tomar chuva, correr risco...por amor.Alguém precisa provar mais alguma coisa?"Agora que você sabe como é distante, sabe que eu venho é por que te amo".Nessas horas, não tenho nada pra completar.Tudo o que precisava foi dito.
Tudo vale a pena desde a primeira vez.Sempre linda com jeito de menina e sonhos de adulta. Se move em slow motion na minha frente, cheirosa e me abraça.E me desconcerta quando sorri.O sorriso mais lindo.Você soneca com a cabeça no meu peito, eu feliz por tudo o que já temos, desejando mais meses.
Todas as coisas que já fizemos juntos, todos os desafios qubrados.Nosso banco, nossa fonte, nossa pizza, nosso tapete no meio da sala....e sua onipresente coca.
Nossas mini-discussões, minha persistencia e seu pessimismo.Nossos descompassos, sua ponderação e minha displicencia.Desculpa.Passado esse tempo, fica claro pra mim que tudo é valido.E pra nós que sair de casa é se aventurar, só de estar já é uma prova de amor.
Provas como fotos, frases, surpresas e ligações noturnas são bem vindas sempre, mas são adicionais.Se deslocar daqui pra lá, tomar chuva, correr risco...por amor.Alguém precisa provar mais alguma coisa?"Agora que você sabe como é distante, sabe que eu venho é por que te amo".Nessas horas, não tenho nada pra completar.Tudo o que precisava foi dito.
Tudo vale a pena desde a primeira vez.Sempre linda com jeito de menina e sonhos de adulta. Se move em slow motion na minha frente, cheirosa e me abraça.E me desconcerta quando sorri.O sorriso mais lindo.Você soneca com a cabeça no meu peito, eu feliz por tudo o que já temos, desejando mais meses.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Soneto do Seis.
Se lembro das horas marcadas
sinto a força do teu abraço
saudades outrora comportadas
se rompem na dor que não disfarço
Celebremos o rompimento do medo
Por assumir toda nossa verdade
Bobeira era manter em segredo
O que nos fazia dançar pela cidade
Fiz casa em teu sorriso
Alojei-me no teus braços
Dias, meses são precisos
Fiz de ti o meu espaço
Que doa e que arda
não são palavras que irão me defender
Se é de vontade, feche os olhos e parta
mas leva consigo meu-bem-querer
Sempre além do que se ve
sinto a força do teu abraço
saudades outrora comportadas
se rompem na dor que não disfarço
Celebremos o rompimento do medo
Por assumir toda nossa verdade
Bobeira era manter em segredo
O que nos fazia dançar pela cidade
Fiz casa em teu sorriso
Alojei-me no teus braços
Dias, meses são precisos
Fiz de ti o meu espaço
Que doa e que arda
não são palavras que irão me defender
Se é de vontade, feche os olhos e parta
mas leva consigo meu-bem-querer
Sempre além do que se ve
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Corpo de baile.
Atrasado como sempre, cruzando a esquina já imaginando uma desculpa aceitável.Não seria aceita, mas já era alguma coisa.
-Aham -Aceitou ela ironicamente, olhando pro chão.Abracei com um tanto de receio de amassar o vestido dela.Quase nunca a tinha visto em trajes de festa, e tenho que confessar, estava linda.
-Não vem, estou puta com voce.Porra, até hoje.
Ela se virou e fui descendo a rua, retrucando cada mini silaba que eu ousava soltar.Sinismo, arrogância, petulância, ciume, raiva e rancor são coisas que eu admirava em uma mulher.Me veio o impulso de dizer, mas provavelmente ela iria ficar muito danada: eu adorava aquela cara emburrecida.
-Larga meu braço! Estou chateada, po.Nunca encano com teus atrasos, mas até hoje é foda.Eu me arrumei rápido, nem fiz toda maquiagem e você me deixa uma hora esperando.Caralho, meu.Uma hora, é foda.
-Não foi uma hora...
-Ah, foda-se.Você sabe como é importante pra mim estar bonita hoje.Até de salto eu estou....
-Desculpa.
-Porra, né.
Ela me abraçou sem importar se estava amassando alguma coisa.Muito pelo contrario.Nos beijamos varias vezes.Ela quase tropeçou pra trás, pouca habilidade com salto.
-Vacilo teu atrasar.
-Acho que você até esqueceu a pressa, né
-Idiota.
Eu estava cansado, mas era gostoso ser puxado de um lado pro outro do salão e depois jardim afora.
-Já ouvi falar bastante de você.
Eu me sentia um personagem de novela.Ainda que em sua maioria, sorrisos falsos denunciassem uma certo vazio na afirmação, era fato que a pessoa sabia mais de mim do que eu dela.
-Vou te mostrar as meninas
Elas voaram em mim.Entendo em parte.Agora todo mundo podia entender que eu era real.Entendo que pra algumas também, era meio decepcionante.Ela fazia questão de inclinar a cabeça no meu ombro.
dali eu olhava pro lado, via uma menina muito feliz, que não conseguia conter em si mesma a felicidade nervosa.Eram pés felizes, mãos felizes, abraços felizes e um sorriso sarcástico.
Então fomos dançar.Ora eu sentia a respiração dela no meu pescoço, outra eram seus braços que me puxavam pra mais perto do corpo, que deslizava pra cima e pra baixo.Além do que há de se esperar, eu pensava como também estava feliz.Como se de repente se infiltra na vida de outra pessoa.Eu sempre me senti incapaz, mas agora eu podia me ver junto com alguém.Eu sou de ver beleza em tudo o que ela faz.Apoio, brigo, beijo, xingo.As vezes eu exagero, ela me acha grosso.Não posso querer me distanciar.Sobretudo, ela estava linda com aquela fita na cintura.
A certo ponto, ela começou a rir demais.Não contei quantos copos foram, mas ela claramente já estava bastante alta.Confesso que também já não estava tão sóbrio, e pra evitar merda, convidei pra sentar.
Diferente de mim, que fico triste com álcool, ela ficou super enérgica, quis dançar com as amigas.
-Vá lá
Catei algum copo e fui pra fora.Sentei numa escada e fiquei brincando de acender e apagar meu isqueiro.Ela até aprendeu a andar de salto, e eu estava chato.Não quis estragar a noite.Encostei a cabeça na parede.Eu ia voltando pra casa dando milhares de beijinhos na bochecha direita dela.Ela ria e me xingava carinhosamente, como eu adoro.
-Desculpa amor, não chateia.Vamos lá pra dentro.
Me deu um beijo na testa e me puxou pelo braço.
-Tocou uma que tu gosta, e você aqui, né.
-Desculpa, vim pensar.
Me arrastou e ficamos até sei lá que horas juntos
"Daqui a pouco, a valsa dos formandos"
-Estive pensando, porque você gosta de mim?
-hã?
-Esquece, sou um idiota.
-Aham -Aceitou ela ironicamente, olhando pro chão.Abracei com um tanto de receio de amassar o vestido dela.Quase nunca a tinha visto em trajes de festa, e tenho que confessar, estava linda.
-Não vem, estou puta com voce.Porra, até hoje.
Ela se virou e fui descendo a rua, retrucando cada mini silaba que eu ousava soltar.Sinismo, arrogância, petulância, ciume, raiva e rancor são coisas que eu admirava em uma mulher.Me veio o impulso de dizer, mas provavelmente ela iria ficar muito danada: eu adorava aquela cara emburrecida.
-Larga meu braço! Estou chateada, po.Nunca encano com teus atrasos, mas até hoje é foda.Eu me arrumei rápido, nem fiz toda maquiagem e você me deixa uma hora esperando.Caralho, meu.Uma hora, é foda.
-Não foi uma hora...
-Ah, foda-se.Você sabe como é importante pra mim estar bonita hoje.Até de salto eu estou....
-Desculpa.
-Porra, né.
Ela me abraçou sem importar se estava amassando alguma coisa.Muito pelo contrario.Nos beijamos varias vezes.Ela quase tropeçou pra trás, pouca habilidade com salto.
-Vacilo teu atrasar.
-Acho que você até esqueceu a pressa, né
-Idiota.
Eu estava cansado, mas era gostoso ser puxado de um lado pro outro do salão e depois jardim afora.
-Já ouvi falar bastante de você.
Eu me sentia um personagem de novela.Ainda que em sua maioria, sorrisos falsos denunciassem uma certo vazio na afirmação, era fato que a pessoa sabia mais de mim do que eu dela.
-Vou te mostrar as meninas
Elas voaram em mim.Entendo em parte.Agora todo mundo podia entender que eu era real.Entendo que pra algumas também, era meio decepcionante.Ela fazia questão de inclinar a cabeça no meu ombro.
dali eu olhava pro lado, via uma menina muito feliz, que não conseguia conter em si mesma a felicidade nervosa.Eram pés felizes, mãos felizes, abraços felizes e um sorriso sarcástico.
Então fomos dançar.Ora eu sentia a respiração dela no meu pescoço, outra eram seus braços que me puxavam pra mais perto do corpo, que deslizava pra cima e pra baixo.Além do que há de se esperar, eu pensava como também estava feliz.Como se de repente se infiltra na vida de outra pessoa.Eu sempre me senti incapaz, mas agora eu podia me ver junto com alguém.Eu sou de ver beleza em tudo o que ela faz.Apoio, brigo, beijo, xingo.As vezes eu exagero, ela me acha grosso.Não posso querer me distanciar.Sobretudo, ela estava linda com aquela fita na cintura.
A certo ponto, ela começou a rir demais.Não contei quantos copos foram, mas ela claramente já estava bastante alta.Confesso que também já não estava tão sóbrio, e pra evitar merda, convidei pra sentar.
Diferente de mim, que fico triste com álcool, ela ficou super enérgica, quis dançar com as amigas.
-Vá lá
Catei algum copo e fui pra fora.Sentei numa escada e fiquei brincando de acender e apagar meu isqueiro.Ela até aprendeu a andar de salto, e eu estava chato.Não quis estragar a noite.Encostei a cabeça na parede.Eu ia voltando pra casa dando milhares de beijinhos na bochecha direita dela.Ela ria e me xingava carinhosamente, como eu adoro.
-Desculpa amor, não chateia.Vamos lá pra dentro.
Me deu um beijo na testa e me puxou pelo braço.
-Tocou uma que tu gosta, e você aqui, né.
-Desculpa, vim pensar.
Me arrastou e ficamos até sei lá que horas juntos
"Daqui a pouco, a valsa dos formandos"
-Estive pensando, porque você gosta de mim?
-hã?
-Esquece, sou um idiota.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Vicioso.
E as festividades se estenderam pela madrugada.O chão sujo de papel picado e as bolas pelo salão.Como é de se acontecer, a vontade de chorar engolia ela própria.Mesmo os sóbrios viam motivo em se apoiar num suado ombro amigo.
Ela recostou a cabeça no ombro desajeitado, ele desajeitado prendeu a mão na cintura dela.O sol nascendo alaranjado, os passos lerdos adiando um fim não doloroso.Quem procurasse uma palavra doce, ficaria laconico por alguns minutos.Na ausência de algo melhor, olhar pra ponta grudenta do sapato.Um tapinha nas costas e um riso sem jeito já eram bom consolo.
O cansaço e o desejo fez tudo fluir rapido.A pele deslizante na mão macia.A continuidade de sorrisos de olhos fechados.
Cada minuto pedia mais um minuto.
Um xícara rápida de café anunciando a sonolencia nos corpos.Também, tinha sido muita emoção num só gole de vodca.Era hora de ir, e os invictos vinham cambaleantes pela calçada, com a camisa aberta e o bafo de álcool.Vomito e tontura é uma condição opcional, a qual nem todos estão aptos.
Se deitaram, e dessa vez, era por sono.O dia chamava pra sair, mas ali dentro era o melhor lugar.
Ela recostou a cabeça no ombro desajeitado, ele desajeitado prendeu a mão na cintura dela.O sol nascendo alaranjado, os passos lerdos adiando um fim não doloroso.Quem procurasse uma palavra doce, ficaria laconico por alguns minutos.Na ausência de algo melhor, olhar pra ponta grudenta do sapato.Um tapinha nas costas e um riso sem jeito já eram bom consolo.
O cansaço e o desejo fez tudo fluir rapido.A pele deslizante na mão macia.A continuidade de sorrisos de olhos fechados.
Cada minuto pedia mais um minuto.
Um xícara rápida de café anunciando a sonolencia nos corpos.Também, tinha sido muita emoção num só gole de vodca.Era hora de ir, e os invictos vinham cambaleantes pela calçada, com a camisa aberta e o bafo de álcool.Vomito e tontura é uma condição opcional, a qual nem todos estão aptos.
Se deitaram, e dessa vez, era por sono.O dia chamava pra sair, mas ali dentro era o melhor lugar.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Little Win.
Ela quer que todos planos dêem certo
Tento ajudar quando estou por perto
E também quando não estou
Na verdade, eu já vou
Mas não vai ser por muito tempo,
Eu prometo
Se as pálpebras pesam, aproveita o sono
Também entendo o cansaço.
sei que não é fácil.
Ninguém falou em desistir,
Eu só acho que se prender medo não é necessário
Se permitir sorrir e sonhar
sem calcular a passagem dos dias.
Confusão pra começar
Reclama da solidão as vezes,
mas já se passaram alguns meses
Ela dorme no mesmo lugar.
Quando acordar, onde quer que esteja
Me beija, eu te amo
Muito
Tento ajudar quando estou por perto
E também quando não estou
Na verdade, eu já vou
Mas não vai ser por muito tempo,
Eu prometo
Se as pálpebras pesam, aproveita o sono
Também entendo o cansaço.
sei que não é fácil.
Ninguém falou em desistir,
Eu só acho que se prender medo não é necessário
Se permitir sorrir e sonhar
sem calcular a passagem dos dias.
Confusão pra começar
Reclama da solidão as vezes,
mas já se passaram alguns meses
Ela dorme no mesmo lugar.
Quando acordar, onde quer que esteja
Me beija, eu te amo
Muito
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
As Vítimas.
".....apesar de inconstante, ela é uma boa menina"Ainda lembrava que refletiu quando se decidiu por pedi-la em namoro.
arrumou a garrafa e os remédios na mesa.Catou o controle remoto, recostou-se e deu play no filme.
Apesar de vários motivos contra, Dani aprendeu a se realizar.De fato a separação dos pais no começo da adolescencia foi uma baque forte pra guria.Lembra que baixava o volume da tv pra ouvir o que os pais gritavam no quarto ao lado; voltava aumentar já quase chorando.
A esperança de ir pra Disney nas ferias se rompeu, e antes essa fosse a pior parte.
Vivendo só com a mãe, ouvia todos os dias como era difícil ser mulher num mundo de homens.Aprendeu que devia ser independente.Como colateral, aprendeu a rancorizar e ser dura com toda sorte de rapazes.Tomou horror de acompanhamento pisicológico.
Aos poucos superou.Feliz poder encontrar o pai.Eles passeavam pelo bairro onde agora o ele morava numa casa de aluguel.Dois comodos.Paravam e tomavam sorvete, como uma família feliz devia fazer num domingo a tarde.
Treze anos e já não via graça nos filmes da Disney.Ligava o radio bem alto e botava Stone Temple Pilots ou Alice in Chains.Rodopiava fazendo da escova cabelo de microfone, caia na cama cantando o refrão de Plush junto com o Scott.
No colégio era boa aluna, mas evitava se expor.Mesmo com poucos amigos, eram leais e divertidos.Assim vieram as matanças de aula,o desejo de saborear nicotina e os primeiros toques alheios.Na seletividade que tinha sido empurrada, preferia ser atraída pelos tipos menos comuns.
A mãe chegava do trabalho ela já estava sonolenta.O pai tinha rugas e aparecia cada vez menos.a mãe saia, e acabou achando alguém, julgou.
Foi se permitindo e cresceu como mulher.
O cabelo tingido até nos ombros, a identidade falsa, o senso de responsabilidade.Se pra alguns de estômago fraco, o vomito jorrava no meio fio,ela preferia manter a linha.Sentava na mesa de sinuca numa quinta a noite e numa sexta estava na aula despejando conhecimento sobre a literaturainglesa, sempre sublinhando as consoantes iniciais ao dizer Oscar Wilde.Trabalhava pra ajudar a mãe com as despesas e pra custear sua vidinha.O pai tinha lhe dado uma irmã mais nova.
Os livros da escola, as revistas e o CD do Queens largado na cama.
Se esbarravam na biblioteca, se viam nos corredores.
-Principe Feliz realmente me faz pensar.Eu me sinto tão...incapaz.
Não eram tão novidades um pro outro, só descobriram coisas que não imaginavam.Horas conversando, gostos similares, risos e negativas.
-Claro que os Stones são melhores
-Dorian Gray! Lindo, lindo.
-Não acho o tipo de coisa que se compara, po.É gosto.
-Aquele solo do Hendrix
-As vezes me sinto tão só
-Ficção cientifica
-Paris!
-É.Paris
Abraçados pela rua, ele mal conseguia controlar a felicidade no seu peito.Mas fez.Ficou calado e mesmo no cinema, preferiu olhar as feições dela.A luz batia, descia pelo nariz e fazia os olhos brilharem.Ela virava rindo, apertava o braço dele.
-Você viu isso?
Deslumbrado ele não fez nada. Preferiu bancar o bobo.Foi contando os passos pra casa.
Os relógios envelheciam.Pensou consigo mesmo em suas equações mentais.Decidiu por bem.Talvez fossem o casal mais lindo da cidade, mas ninguém os percebia camuflados no escuro, ainda mais nos dias de chuva.
Resfriados e abraços, cinemas e lanchinhos.Os dois ciumentos, com as magoas mutuamente engolidas.Se davam tão bem que ia ser pra sempre.Aqueles planos de futuro.Ele era sonhador, ela não tinha problemas com as próprias roupas.Apaixonados.
A indústria estava quebrada, e o mercado interno entrou em crise."Decidiram" romper.
Ela ficou triste, ate chorou, mas não prolongou muito.A vida tinha sido incisiva que rapazes vem, rapazes vão.Na mão de um bom entalhador, até pedra de sabão vira escultura.Ele ficou triste, quis se matar. Ouviu vários conselhos, desde "Não deu, não era pra ser" até o "ela era uma puta".Nada adiantava.Nem teorias divinas.Em duas semanas tinha festa da tia.Pais e irmãs iriam. Ele pediu pra ficar.
Apagou quase todas as luzes e foi se preparando.Tinha sido um bom aluno, permanecendo anestesiado pelas constantes brigas dos pais.Gostava de ler e de rock.
Sempre que podia, também curtia filmes cult.
Abriu a capinha e botou seu dvd predileto.Na mesa, uma garrafa de whisky 12 do pai e uma pequena sorte de remédios: Berotec, Aspirinas e um antidepressivo da mãe.
Nos últimos dias, tinha ouvido notas muito pesadas pra baixo, entre Radiohead e Joy Division.
Desligou o filme
Dani era a garota mais interessante que ele já tinha conhecido.Uma mulher, uma menina.Independente, inteligente, proativa, sincera, educada....nos braços dela, ele esquecia de como era motivo de graça quando era do ginásio, esquecia de sua arrogância e prepotência.Sentia-se o cara mais feliz do mundo, e ela nem parecia sentir falta.Estavam conversados, mas não era aceitável.
Se achava pobre, feio, tinha pouco incentivo, pouco reconhecimento.Muitas pressões afunilavam decisões.Valia apena.
"Berotec é em gotas" questionou se como ia misturá-lo no coquetel de overdose.
Pesou em Dani pela ultima vez, foi na cozinha, botou Shadowplay pra tocar.Parou diante dos remédios pela ultima vez.
"Eu também fiz besteira, eu sei.Estraguei uma sensação tão boa, e olha como quero resolver...que idiota.Ninguém tem culpa.Amo porque apesar de inconstante, ela é uma boa menina"
Botou uma dose de whisky, se jogou pra trás.Dormiu no sofá.
Dani tinha medo que as dores mastigadas, um dia a engolissem.
Placebo ou não, doses homeopáticas de felicidade também curam velhas doenças
"no centro da cidade, esperando por você"
arrumou a garrafa e os remédios na mesa.Catou o controle remoto, recostou-se e deu play no filme.
Apesar de vários motivos contra, Dani aprendeu a se realizar.De fato a separação dos pais no começo da adolescencia foi uma baque forte pra guria.Lembra que baixava o volume da tv pra ouvir o que os pais gritavam no quarto ao lado; voltava aumentar já quase chorando.
A esperança de ir pra Disney nas ferias se rompeu, e antes essa fosse a pior parte.
Vivendo só com a mãe, ouvia todos os dias como era difícil ser mulher num mundo de homens.Aprendeu que devia ser independente.Como colateral, aprendeu a rancorizar e ser dura com toda sorte de rapazes.Tomou horror de acompanhamento pisicológico.
Aos poucos superou.Feliz poder encontrar o pai.Eles passeavam pelo bairro onde agora o ele morava numa casa de aluguel.Dois comodos.Paravam e tomavam sorvete, como uma família feliz devia fazer num domingo a tarde.
Treze anos e já não via graça nos filmes da Disney.Ligava o radio bem alto e botava Stone Temple Pilots ou Alice in Chains.Rodopiava fazendo da escova cabelo de microfone, caia na cama cantando o refrão de Plush junto com o Scott.
No colégio era boa aluna, mas evitava se expor.Mesmo com poucos amigos, eram leais e divertidos.Assim vieram as matanças de aula,o desejo de saborear nicotina e os primeiros toques alheios.Na seletividade que tinha sido empurrada, preferia ser atraída pelos tipos menos comuns.
A mãe chegava do trabalho ela já estava sonolenta.O pai tinha rugas e aparecia cada vez menos.a mãe saia, e acabou achando alguém, julgou.
Foi se permitindo e cresceu como mulher.
O cabelo tingido até nos ombros, a identidade falsa, o senso de responsabilidade.Se pra alguns de estômago fraco, o vomito jorrava no meio fio,ela preferia manter a linha.Sentava na mesa de sinuca numa quinta a noite e numa sexta estava na aula despejando conhecimento sobre a literaturainglesa, sempre sublinhando as consoantes iniciais ao dizer Oscar Wilde.Trabalhava pra ajudar a mãe com as despesas e pra custear sua vidinha.O pai tinha lhe dado uma irmã mais nova.
Os livros da escola, as revistas e o CD do Queens largado na cama.
Se esbarravam na biblioteca, se viam nos corredores.
-Principe Feliz realmente me faz pensar.Eu me sinto tão...incapaz.
Não eram tão novidades um pro outro, só descobriram coisas que não imaginavam.Horas conversando, gostos similares, risos e negativas.
-Claro que os Stones são melhores
-Dorian Gray! Lindo, lindo.
-Não acho o tipo de coisa que se compara, po.É gosto.
-Aquele solo do Hendrix
-As vezes me sinto tão só
-Ficção cientifica
-Paris!
-É.Paris
Abraçados pela rua, ele mal conseguia controlar a felicidade no seu peito.Mas fez.Ficou calado e mesmo no cinema, preferiu olhar as feições dela.A luz batia, descia pelo nariz e fazia os olhos brilharem.Ela virava rindo, apertava o braço dele.
-Você viu isso?
Deslumbrado ele não fez nada. Preferiu bancar o bobo.Foi contando os passos pra casa.
Os relógios envelheciam.Pensou consigo mesmo em suas equações mentais.Decidiu por bem.Talvez fossem o casal mais lindo da cidade, mas ninguém os percebia camuflados no escuro, ainda mais nos dias de chuva.
Resfriados e abraços, cinemas e lanchinhos.Os dois ciumentos, com as magoas mutuamente engolidas.Se davam tão bem que ia ser pra sempre.Aqueles planos de futuro.Ele era sonhador, ela não tinha problemas com as próprias roupas.Apaixonados.
A indústria estava quebrada, e o mercado interno entrou em crise."Decidiram" romper.
Ela ficou triste, ate chorou, mas não prolongou muito.A vida tinha sido incisiva que rapazes vem, rapazes vão.Na mão de um bom entalhador, até pedra de sabão vira escultura.Ele ficou triste, quis se matar. Ouviu vários conselhos, desde "Não deu, não era pra ser" até o "ela era uma puta".Nada adiantava.Nem teorias divinas.Em duas semanas tinha festa da tia.Pais e irmãs iriam. Ele pediu pra ficar.
Apagou quase todas as luzes e foi se preparando.Tinha sido um bom aluno, permanecendo anestesiado pelas constantes brigas dos pais.Gostava de ler e de rock.
Sempre que podia, também curtia filmes cult.
Abriu a capinha e botou seu dvd predileto.Na mesa, uma garrafa de whisky 12 do pai e uma pequena sorte de remédios: Berotec, Aspirinas e um antidepressivo da mãe.
Nos últimos dias, tinha ouvido notas muito pesadas pra baixo, entre Radiohead e Joy Division.
Desligou o filme
Dani era a garota mais interessante que ele já tinha conhecido.Uma mulher, uma menina.Independente, inteligente, proativa, sincera, educada....nos braços dela, ele esquecia de como era motivo de graça quando era do ginásio, esquecia de sua arrogância e prepotência.Sentia-se o cara mais feliz do mundo, e ela nem parecia sentir falta.Estavam conversados, mas não era aceitável.
Se achava pobre, feio, tinha pouco incentivo, pouco reconhecimento.Muitas pressões afunilavam decisões.Valia apena.
"Berotec é em gotas" questionou se como ia misturá-lo no coquetel de overdose.
Pesou em Dani pela ultima vez, foi na cozinha, botou Shadowplay pra tocar.Parou diante dos remédios pela ultima vez.
"Eu também fiz besteira, eu sei.Estraguei uma sensação tão boa, e olha como quero resolver...que idiota.Ninguém tem culpa.Amo porque apesar de inconstante, ela é uma boa menina"
Botou uma dose de whisky, se jogou pra trás.Dormiu no sofá.
Dani tinha medo que as dores mastigadas, um dia a engolissem.
Placebo ou não, doses homeopáticas de felicidade também curam velhas doenças
"no centro da cidade, esperando por você"
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